O Brasil tem um problema estrutural em tecnologia que não é falta de vaga — é falta de gente com a combinação certa de skills. Entre 2019 e 2024, a demanda acumulada por profissionais de tecnologia chegou a 665 mil, enquanto a oferta formada no período ficou em torno de 464 mil (InvGate) — um déficit que ajuda a explicar por que empresas seguem contratando mesmo em cenários de cautela econômica. Quase 7 em cada 10 empresas no Brasil planejam aumentar as contratações de tecnologia, segundo levantamento publicado pela Forbes (Forbes, 2026).
O detalhe importante não é só “tem vaga” — é que as skills mais pedidas mudaram, e quem não atualiza o currículo para refletir isso perde posição na fila.
Segurança da informação lidera a demanda
No primeiro semestre de 2026, segurança da informação apareceu como a área mais buscada por empresas brasileiras: 36% dos entrevistados em um levantamento setorial afirmaram estar contratando especificamente para esse perfil. O motivo é direto — o volume de dados e sistemas expostos cresceu mais rápido do que o número de profissionais qualificados para proteger essa infraestrutura.
IA deixou de ser diferencial e virou requisito
O crescimento mais expressivo, no entanto, está em vagas que exigem competência em inteligência artificial. O número de vagas brasileiras exigindo habilidades ligadas a IA saltou de 63,3 mil em 2024 para 182,3 mil em 2025 — um crescimento de 188% em um único ano, elevando a participação dessas vagas no total de anúncios de emprego de 1,1% para 3,6% (Computer Weekly Brasil). Setores que historicamente não eram de tecnologia — financeiro, jurídico, administrativo — também passaram a exigir conhecimento em automação e ferramentas de IA generativa nas próprias vagas.
Isso não significa que todo mundo precisa virar engenheiro de IA. Significa que saber usar ferramentas de IA generativa no dia a dia da própria função virou expectativa básica, do mesmo jeito que saber usar planilha virou básico há uma geração.
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As linguagens e áreas que mais aparecem
Desenvolvimento de software segue sendo a área com maior volume de vagas abertas em TI no Brasil, com JavaScript, Python e Java dominando as vagas para desenvolvedores — especialmente em nível júnior e pleno (InvGate). Em paralelo, computação em nuvem, machine learning e big data crescem puxados justamente pela expansão de IA nas empresas: o investimento em transformação digital no Brasil deve chegar a R$ 774 bilhões até 2028, com R$ 331,9 bilhões concentrados em nuvem, R$ 145,9 bilhões em inteligência artificial e R$ 110,5 bilhões em Big Data & Analytics.

O déficit de talentos joga a favor de quem se atualiza
O déficit estrutural de quase 200 mil profissionais entre demanda e oferta formada no período de 2019 a 2024 não é só um número abstrato de mercado — na prática, significa que empresas estão dispostas a flexibilizar exigências de formação acadêmica quando encontram alguém com as skills certas e portfólio consistente. Isso abre espaço real para quem migrou de área, fez transição de carreira ou aprendeu por conta própria, desde que consiga demonstrar a competência de forma concreta — em projetos, certificações reconhecidas ou resultados mensuráveis — e não apenas alegar conhecimento no currículo.
Soft skills não ficaram para trás
O lado técnico não é o único filtro. Comunicação lidera as menções em vagas com 21% de presença, e a combinação mais buscada hoje mistura competência técnica (IA, análise de dados) com comportamental (inteligência emocional, pensamento crítico, comunicação). Um perfil tecnicamente forte, mas que não comunica decisões com clareza, perde posição para quem tem as duas coisas.
Skill em alta não significa skill certa para você
Existe um risco real em perseguir toda tendência de mercado sem filtro: acumular certificações e cursos em áreas que crescem no agregado, mas que não conversam com sua trajetória nem com o tipo de trabalho que você quer sustentar no longo prazo. Segurança da informação e IA lideram a demanda hoje, mas isso não significa que sejam a escolha certa para quem já construiu profundidade em outra área e só precisa de um ajuste pontual, não de uma reinvenção completa. A pergunta mais útil não é “o que está crescendo”, é “o que está crescendo e conecta com o que eu já sei fazer bem”.

O que fazer com essa informação
Skills em alta não servem de muito se ficarem só na lista — o próximo passo é comparar essas skills com o que já está (ou não está) no seu currículo e no seu perfil de LinkedIn, de forma específica para o cargo que você quer, não de forma genérica. É exatamente esse cruzamento que o Career Graph do Carreira+ faz — junto com um boletim diário que acompanha as tendências da sua área específica, não um resumo genérico do mercado.
Veja também vale a pena migrar de carreira para IA? O que os dados mostram e como otimizar seu LinkedIn para o recrutador te encontrar primeiro para transformar essas tendências em ação prática no seu perfil.
Perguntas frequentes
Preciso saber programar para me beneficiar da alta demanda por IA?
Não necessariamente — muitas vagas fora de tecnologia pura já exigem saber usar ferramentas de IA generativa no fluxo de trabalho, não programar modelos do zero.
Qual a skill técnica mais segura para investir agora?
Não existe garantia, mas segurança da informação e competências ligadas a IA generativa aparecem com a demanda mais consistente nos levantamentos mais recentes.
Soft skills pesam mais que hard skills?
Pesam de forma diferente — hard skills costumam filtrar quem passa pela triagem inicial; soft skills como comunicação pesam mais nas etapas de entrevista e nas promoções.
Esses dados valem para qualquer região do Brasil?
A concentração de vagas de tecnologia tende a ser maior em polos como São Paulo, Florianópolis e Recife, mas a tendência de crescimento em IA aparece de forma mais ampla no país.
Com que frequência essas tendências mudam?
O suficiente para valer a pena acompanhar de forma recorrente, não só uma vez — é por isso que o boletim diário existe em vez de um relatório único.